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segunda-feira, 11 de junho de 2012

CAFÉ POEMA- POESIA E LIBERDADE

No CAFÉ - POEMA, previsto para a sexta - feira 1 de Junho, e que não houve, porque o Dinamizador, o Sérgio Guerreiro, estava adoentado, o tema previsto era "POESIA E LIBERDADE", e eu preparei o poema que se segue:


CONHECIMENTO CONDICIONADO




 
Salazar, “esse grande democrata”,

(como lhe chamou Hermano Saraiva),

Zelava tanto pelo bem do povo.

Que não queria que o povo se inquietasse,



Zelava tanto, e com tantos zeladores,

Que a todos impunha uma máxima:

“Politicamente só existe aquilo

Que o público sabe que existe”…



Ou seja “Quanto menos souberes melhor,

Mais feliz serás, nós cá estamos para sabermos

Mais e sermos mais infelizes.

O saber é uma desgraça!



E há pessoas que já são uns desgraçados,

Não contentes com a santa vida que lhes queremos dar,

Querem ensinar mais aos outros,

Querem-nos fazer mais infelizes!



E nós, com a preciosa ajuda dos nossos zeladores

Não podemos permitir isso!

O povo não precisa de saber mais!

Basta-lhe saber, ler, escrever e contar!



Não queremos que as ideias subversivas apareçam

Como desejam aqueles que dizem

Que querem o bem do povo!

O povo é feliz, tem tudo o que precisa!



Não precisa de saber o que escrevem

Os autores de teatro, de romances, de poesia,

E muito menos aqueles que se dedicam

A divulgar pensamentos subversivos e contra o Estado!



E os chamados artistas plásticos,

Que em vez de representarem a sadia natureza campestre,

Só sabem representar com formas horrendas,

Aquilo a que chamam “os explorados pelo patronato”?



Como se isso fosse verdade!

Quando tanto pugnámos para que os patrões e empregados

Se dessem Corporativamente como Deus e os Anjos!

Não podemos permitir essas falsidades!



Não podemos permitir que os jornais, uns verdadeiros pasquins!

Noticiem falsidades sobre actos de saudável convivência,

De membros do Governo, da Igreja e outras pessoas influentes,

Com jovens de ambos os sexos, em festas de solidariedade!



Portanto, cortamos tudo! A censura é eficiente!

Não deixamos passar nada! Os nossos zeladores

Serão louvados pela sua eficiência, deixando-os

Por vezes participar nas tais festas de solidariedade!



E para que tudo seja bem transparente, para nós,

Investigamos a vida particular de todos,

Aqueles que sobressaem sobre os outros,

Sejam jornalistas, políticos, empresários,



Para que possamos controlá-los,

E impedi-los de continuar as suas malfeitorias…



Desculpem! Onde é que eu já ouvi isto?

Parece que saltámos no tempo!



Estávamos a falar do tempo do Salazar

E da sua democracia,



Ou estamos nos tempos actuais

Onde os zeladores seguem métodos parecidos?



A única diferença, é que por enquanto

Ainda se vai tendo conhecimento

De algumas das operações

Congeminadas pelos seguidores do obscurantismo!     




Eduardo Martins

Carcavelos, 31 de Maio de 2012

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Café Poema

O tema era "Cartas de Amor e outros dias".

Foi uma sessão bem divertida e concorrida.

A minha contribuição foi esta:



DECLARAÇÃO



Se o Álvaro, o de Campos,

Um dos habitantes de Fernando Pessoa,

Lá tinha as suas razões

Para escrever que:

 “Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.”



Mas também, para acrescentar que:

“Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas”.



Quem sou eu, que nem sequer

Sou habitante de Fernando Pessoa,

Para não concordar?



E assim, declaro que concordo

Com tudo o que foi afirmado

Por Álvaro de Campos.



E com o contrário também.

Eduardo Martins
Carcavelos, Fevereiro 2012

sábado, 26 de novembro de 2011

2º ANIVERSÁRIO DO "CAFÉ POEMA"

O "Capuccino", estava cheio que nem um ovo, ou melhor, que a praia de Carcavelos em domingo de Agosto...
Comemorava-se o 2º Aniversário do "Café Poema", que Sérgio Guerreiro tem dinamizado, e o tema era "O Mar", com aperitivos variados... Um video do "SG" alusivo ao Mar e ao Medo, a actuação do Grupo Coral "Vox Maris", e para finalizar, a apresentação, ou "degustação" do "Carcaveló", como agora soe dizer-se acompanhado, como seria curial por vinho de Carcavelos...
Como o tempo não era muito, das duas "poesias"  ou melhor, "das duas produções da minha obra poética" como se diz agora,  que escrevera sobre o tema, apenas uma foi lida... a primeira...
Mas aqui seguem as duas:  

MAR PORTÁTIL

Eu queria transportar o mar comigo
Plantar algas verdes, na terra castanha
Humedecer rochas secas com os limos
Levar a espuma das ondas para a floresta ardida

Levar o mar pelas ruas das cidades
Espraiando-se no trânsito ensurdecedor
Tê-lo comigo sempre pronto a ser usado
Quando asfixiasse por falta de mar

Queria ver o mar, como se vê um quadro
Queria ouvir o mar, como uma sinfonia
Queria cheirar o mar como se fosse pó branco
Queria que o mar fosse o meu vício

Mas não consigo reduzi-lo
A uma dimensão facilmente transportável!
O melhor que consegui até agora,
Quando não estou ao pé do mar, é escutar um búzio...




MAR DIFERENTE


Há Mares de gentes corajosas
Que cantando, tocando, dançando,
escrevendo,  pintando, esculpindo,
pensando, fazendo, que vivendo
 contribuíram, para que tivéssemos vida melhor...

Há Mares que me ocorrem agora,
Certamente muitos ficarão de fora,
Não é que não mereçam ser citados,
Mas a memória vai com a espuma
E as ondas vão chegando uma a uma…

Há o Mar de Sá Carneiro,
Mas também o Mar Henrique Leiria
E o Mar Dionísio,o Mar Soares,
O Mar Bota, o Mar Ruivo,
O Mar Viegas e o Mar Cesariny
O Mar Laginha, o Mar Barreto

E há Mares que nos tocam no feminino
Mar João Pires, Mar Helena Vieira da Silva
Mar Barroso, Mar Lurdes Pintassilgo,
Três Mares, Velho da Costa, Teresa Horta, Isabel Barreno
Mar Alberta Meneres, Mar Alzira Seixo,

Há Mares diferentes
Mas que são Mares resistentes,
Que vieram espraiar nas nossas costas
As suas ondas de cor, de palavra, de som,
De angustia e alegria, de ironia,
Que nos ajudam a pensar...
Venham mais Mares...   


Eduardo Martins
Carcavelos, Novembro 2011


sábado, 1 de outubro de 2011

CAFÉ- POEMA DE 30 DE SETEMBRO DE 2011

No Café Poema no Capuccino em Carcavelos a 30 de Setembro, onde o tema era "Guerra dos Sexos", como sempre incentivado pelo Sérgio Guerreiro, entre outras participações, li os seguintes poemas alusivos ao tema:


O FIM DA GUERRA



A guerra dos sexos é estúpida,

Como são estúpidas todas as guerras!

Há quem ataque e quem defenda,

E quem defenda que o melhor ataque é a defesa.



Se todas as guerras, como tudo, têm um fim,

Porque não começar logo pelo fim,

Pondo um fim à guerra,

Antes que ela resolva ter um principio?



Porque não dar ouvidos (e o resto dos corpos)

Àquele sábio conselho tão praticado

Durante as manifestações pacifistas?

FAÇAM O AMOR,NÃO FAÇAM A GUERRA!?




GUERRA DE PENSAMENTOS, PALAVRAS E OBRAS

Porquê a Guerra dos Sexos?
Os sexos têm tantas coisas em comum…
É certo que também têm coisas diferentes,
Felizmente! Se não era uma monotonia…

Mas porque é que se guerreiam?
Será porque um tem um coiso pendurado,
Enquanto o outro tem o coiso mais cavado?

- Mas coisos pendurados também tu tens!
-Tenho agora! Mas há alguns anos estavam bem arrebitados!
-Mas olha que o meu coiso também se arrebitava bem…

- Arrebitava, arrebitava… quando lhe cheirava a buraco!
-Já que falas de buracos, cuidadinho com os cheiros!
-O que é que queres dizer com isso?
- Que eu não sou asseadinha?

-Repete lá isso se és capaz!
- Queres levar uma nessa fuça?
- Parece que era a primeira vez que me batias!
-Só foram mal empregues as que não acertaram!

- Ai que já nem te posso ver!
- Anda cá que eu arranco-te os olhos!
- Retira o que dizes, senão enfio-te a mão pela goela abaixo!

- Olha que a goela não é aí…
-Mas isto também não é a mão…


sábado, 30 de julho de 2011

CAFÉ POEMA DE 29 DE JULHO DE 2011

No Café Poema do Capuccino em Carcavelos, organizado pelo Sergio Guerreiro, e que fui tomar pela segunda vez, o Tema desta sessão era Anti-Crise, (o que aliás não é nada actual...), e eu escrevi e li os poemas que se seguem:



ANTI –CRISE?

Anti-crise?
Anti-Dantas, Pim!
Dizia o Almada,
Aquele que de Negreiros
Tinha o nome!


Anti-crise?
Anti- Ciclone! O dos Açores,
Dizia o Anthímio,
O de Azevedo,
O do Boletim Meteorológico!


Anti-crise?
Anti-Derrapante!
Dizia o vendedor de material
De revestimentos
De pavimentos.


Anti- crise?
Anti-Cristo!
Dizia o Frederich,
O Nietzsche,
Nicht, Nikles, Batatoides!


Anti-crise?
Anti-Clerical!
Clamava o ateu
Que acha que os padres
São nefastos!


Anti-crise?
Antí-doto!
Dizia a linha SOS veneno,
Quando a suicida
Engoliu o raticida!


Anti-crise?
Anti-depressivo!
Dizia o psicólogo
Receitando uma pipa de comprimidos
A quem tocou no fundo!



Anti-crise?
Antí-tese!
Depois da Tese
E antes da Síntese
Como fazem os Dialécticos!



Anti-crise?
Anti- Aérea!
A Artilharia para deitar abaixo
As ideias esvoaçantes
De alguns sonhadores!



Anti-crise?
Anti-Democrata!
Não! Tu é que és! Anti-Fascista!
Anti-Racista!
Anti-gamente é que era!


Anti-crise?
Anti-Quê?
Não acham que já chega?
Façam qualquer coisa!
Mas por favor!
Não imitem o Tarado da Noruega!




Eduardo Martins
Carcavelos, Julho 2011


COERÊNCIA


Eu sempre fui coerente!
Sempre segui as minhas convicções!
Fui sempre do contra!
Fui sempre pelas minorias!
Fui sempre Anti!
Anti todas as maiorias!

Mas agora! Ai! agora!
Tive de rever as minhas opções!
Quando tantos estão contra a Crise,
Quando tantos são anti- crise!
Eu venho aqui afirmar,
E continuo a ser coerente,
Que se a maioria está contra a crise;
Se quase ninguém a apoia,
Então eu apoio a crise!

Eu desejo, ardentemente!
Que a crise cresça ainda mais!
Que se torne desmesuradamente enorme!

Quando ela atingir tudo,
Então eu já tenho de novo,
 Motivo para ser do contra!
Para ser Anti-Crise!

E então lutarei com todas as minhas forças
Para acabar com ela, a Crise!
E continuarei sempre! sempre!
A ser coerente!







Eduardo Martins
Carcavelos, Julho 2011


sábado, 28 de maio de 2011

CAFÉ COM POEMAS, NO "CAPUCCINO" EM CARCAVELOS, 27 DE MAIO





CAFÉ POEMA - A LUA



UM AMOR IMPOSSIVEL

Eu giro ansiosamente à tua volta
Todos os meses dou a volta inteira
À espera de te ouvir dizer
Para ir ter contigo!

Mas não! Vens com a desculpa
Das leis da física,
E que não pode ser!
E onde é que isto ia parar?

Mas eu sei muito bem
Qual é o teu problema
Tu tens é a mania das grandezas
E andas para aí às voltas ao Sol!

Mas o Sol tem mais que fazer
Do que estar interessado em ti
Quando tem tantos planetas
Que também não o largam!

Lá porque tens a mania
Que só tu é que tens vida inteligente!
Sabe-se lá se isso é verdade?
E mesmo que fosse?

Achas que o Sol te ia escolher,
Com esse tamanhinho,
Quando andam à volta dele
Uns planetas bem matulões?

Já eu, bem sei que sou pequeno
Mas estou aqui mesmo a jeito…
Porque é que não podemos
Quebrar as leis da Física?

Sei que a nossa atracção é mútua
É só eu parar um bocadinho
E zaz! Entro logo por ti a dentro!
Oh Terra, diz lá que sim à tua Lua!
  

Eduardo Martins
Carcavelos, Maio 2011



CAFÉ POEMA - A LUA


SEMPRE NA LUA

Dizes que estou sempre na Lua
E que não ligo ao que se passa cá na Terra
É mais outra das tuas contradições!
Se eu estou na Lua, não estou cá em baixo!

Dizes que estou sempre distraído,
Que deixo tudo por fazer,
Mais uma vez não é verdade!
Eu ando a resolver os problemas deste mundo!

Qual é a importância
Da roupa espalhada no chão
Quando estou quase, quase
A descobrir o movimento perpétuo!

Quando só me falta pôr a trabalhar,
(É mesmo, mesmo só o que falta!)
Um comboio com motor a ar não poluído,
E tu preocupada com a loiça do jantar toda suja!

Estás sempre a dizer mal de mim!
Que ando sempre na Lua!
Que não tenho os pés assentes na terra!
Que não tenho um emprego como toda a gente!

Toda a gente, toda a gente!
Cada vez há mais desempregados!
E esses em vez de andarem para aí nos Centros de Emprego,
Deviam era fazer coisas úteis, como eu faço!

  
Eduardo Martins
Carcavelos, Maio 2011